Last Update on January 10, 2008 14:25  

WITCHHAMMER

// Falber Teles

WITCHHAMMER

SOURCE - Após a excelente participação na "Warfare Noise II" e três discos lançados, a banda desapareceu do cenário. Por partes, gostaria de saber o que aconteceu. O que vocês fizeram durante esse tempo e como surgiu a proposta da banda retornar ao cenário.
Paulinho (G/V) - Eu havia me licenciado da banda em 1991, pois fui morar fora do país por contingências pessoais. No entanto, mantive conexão com a banda e o nosso objetivo era alçarmos o WITCHHAMMER para um trabalho mais profissional e conseqüente. Mas nem tudo rolou como planejávamos e a banda se separou por um tempo, o que o Teddy poderá comentar melhor.

Eu pessoalmente nunca parei de tocar metal, tendo investido no MYFAULT, banda que iniciamos nos EUA (o Giovanni do OFFENSOR e eu) em 1994 e que tenho até hoje. Mas o WITCHHAMMER foi sempre um projeto vivo para mim e sempre soube que voltaríamos, pois não deveríamos ter parado. Não naquele momento.

O Casito teve o VIRGIN AGAIN e o FLUID, além de outros projetos; o Teddy, REFÉM e o FLUID; o Leandro o COYOTES e outros. Todo mundo em ação!

Teddy (D) - Bom, a banda começou a fragmentar em 1995 com atritos entre integrantes e as formações que vieram depois não conseguiram manter a agenda de ensaios e shows. Além disso a Cogumelo se desinteressou pelo som que estávamos fazendo e então decidimos parar no mesmo dia que foi lançado o clip da música “Terrorist Prize” do disco “Blood on the Rocks”. Cada um seguiu seu destino.

Cheguei a tocar com o Casito em outra banda e, em 2001 a Cogumelo relançou o “Mirror my Mirror” em CD, nos encontramos e decidimos voltar.

S - Atualmente o guitarrista Leandro não participa da formação. Qual o motivo de sua ausência?
T - Ele alegou que não conseguiria conciliar o seu trabalho com a banda. Infelizmente não conseguimos viver de música, principalmente heavy metal, no Brasil.

S - Por muitos anos, Belo Horizonte foi o berço do metal nacional, produzindo bandas como SEPULTURA, CHAKAL, MUTILATOR, SARCÓFAGO etc. Entretanto após anos de glória, o cenário deu uma estagnada no surgimento de bandas realmente convincentes. Na sua opinião o que houve?
T - O gosto pelas bandas cover cresceu e hoje, o público metal, diferente dos anos 80, valoriza muito mais as bandas de fora. Eu acho que é reflexo da mentalidade dos bangers de hoje.

P - É muito mais difícil fundar algo tosco, não lapidado para agradar, mas autêntico. Algo muito legal, muito bem produzido e bem tocado, com a melhor técnica, tem seu valor em alta hoje, como algo desejável. É como comer um BigMac ao invés do X-tudo do trailer do bairro. E o pior é viver do pressuposto que o BigMac é melhor, sem mesmo experimentar o X-tudo! Por outro lado, também não gosto de dizer que só naquele tempo fazia-se coisa autêntica. Não sou incentivador de tal saudosismo. Talvez hoje tenha muita coisa foda por aí e que estamos muito ‘tapados’ para compreender. A galera tá fazendo muita coisa impressionante! Eu sei porque tento comprar tudo que é lançado aqui em BH e no Brasil, apreciando e incentivando o metal nacional. Mas, penso nos anos 80 como um marco porque sei que tivemos que persistir num momento em que as dificuldades eram muitas e de ordem muito estrutural, demandando muita garra e união. Tinha muitas barreiras em comum para rompermos, o que impôs uma união e organização revolucionária.

S - Como uma das integrantes da "Warfare Noise II", como foi participar dessa coletânea ? Qual o motivo dos lançamentos não terem continuado?
T - Foi um sonho pra nós na época, pois naqueles tempos gravar não era como hoje em dia, era foda conseguir um espaço. Já os motivos de não continuarem com o projeto eu não sei. Talvez a crise de público que já começava a gostar mais de bandas cover.

P - Depois da Warfare Noise II, ainda teve a III, com GRAY FLOW, BUTCHER, DISEASE e... Tá na ponta da língua...
Quanto às outras bandas da WFII, elas foram diminuindo a atividade a partir da coletânea. Apesar de termos tocado juntos algumas vezes, não era fácil manter o entusiasmo só com a coletânea, numa escassez de show tremenda. Nenhuma delas durou muito depois. O MAYHEM e o MEGATHRASH sofreram uma certa fusão, na formação do GOTHIC VOX, que tinha o Broa e o Cavalão.

Já o AAMONHAMMER, cada um deles teve que cuidar mais de suas prioridades profissionais. É uma pena não terem prevalecido, mas, como sabemos, nunca é tarde!

S - Bandas como CHAKAL, HOLOCAUSTO e SEX TRASH. Estão voltando ao cenário. Você saberia informar se outros grupos também pretendem seguir tal caminho ? MUTILATOR?
T - Não tenho informações sobre o MUTILATOR, mas acho difícil eles voltarem.

P - De vez em quando eu encontro os grandes amigos Rodrigo ou Ricardo por aí (o batera e o baixista, irmãos da formação inicial da banda), mas ninguém jamais aventou tal possibilidade. Mesmo sem estarem envolvidos com bandas, é difícil conhecer alguém que sabe mais de metal e que acompanha mais as coisas da música pesada do que estes dois irmãos. Quem sabe após lerem esta entrevista eles não animam ligar para o Kleber e propor um ensaio no estúdio do Zé?

S - O novo disco possui uma música a qual vocês fazem homenagem a músicos mortos. Como surgiu a idéia de fazer uma música baseada na brincadeira do copo?
T - Sem essa de brincadeira do copo, o negócio é serio. Quando jovens, fazíamos reuniões para usarmos a tábua oija e temos experiência nisso. Já a idéia da música foi uma inspiração do Paulinho.

S - Falando em músicos mortos, notei a ausência nessa música do nome do Reynaldo "Cavalão" Beldran, ex-guitarrista do MAYHEM que participou juntamente com vocês da "Warfare Noise II"...
P - O Cavalão sempre foi irmão e jamais foi ou será esquecido, assim como outros amigos que já se foram e moçada importante para o metal, tais como o Marco Antônio, no início do HOLOCAUSTO, o Edu do SODOMA (RN) ou o Magoo do MUTILATOR. Porém, quando da escrita da letra pensei mais na inspiração das minhas influências, que fui revisitando à medida que refletia sobre a música que estava compondo e tudo saiu naturalmente. Resolvi respeitar isso e não tentar nenhuma diplomacia, pois, sabe-se lá o que o copo pode fazer!!!

T - Também, se fôssemos colocar todos os mortos, a música viraria um cemitério! (risos!)

S - O que os antigos fãs podem esperar do novo álbum ?
T - Honestidade no som, ‘nervosia’ em excesso e muita porrada.

P - Falô, tá falado!!! WITCHHAMMERHAMMER até o toco!!! Gostaria que o(a)s amigo(a)s ouvintes, que já conhecem o nosso trabalho anterior, escutassem este CD e reconhecessem nele o mais sincero e tosco WITCHHAMMERHAMMER, sem mais nem menos. Foi um trabalho honesto onde optamos pela simplicidade, ainda que tenha demandado muito esforço de preparação da nossa parte. Uma certeza nós temos: já valeu a pena demais e a coisa veio para ficar! Já temos músicas novas pipocando por aí que não dá nem para acompanhar.

S - Como a banda está trabalhando a promoção em tempos de comunicação instantânea e internet. Há alguma previsão de lançamento de algum site?
P - Sim. Na verdade, assim como uma porrada de outras coisas em nossas vidas, o site já era para ter saído há muito tempo. Já está pronto (graças ao Chiquinho Webman) e só falta colocar no ar, depois de organizarmos nossa política de finanças, pois tudo que se faz envolve grana, algo que não ganhamos com a banda, nem de longe, muito antes pelo contrário. De qualquer forma, acho que aos pouquinhos vamos conseguindo ocupar esses espaços menos comerciais que a internet reserva, aparecendo em resenhas de sites especializados, em blogs de discussões sobre música; há também algumas comunidades no orkut que servem para divulgações mais pontuais.

A Cogumelo naturalmente se ocupa em divulgar as bandas e centralizar informações em diferentes mídias, muitos vezes ajudando na intermediação de shows e contatos.

S - Fora do WITCHHAMMERHAMMER. Vocês tinham outras atividades. Por exemplo, o Teddy era roadie do SARCÓFAGO. O que estão fazendo atualmente?
T - Hoje eu estudo física na PUC-Minas e trabalho com projetos dentro da universidade.

P - Sou professor do ensino superior e doutorando na UFMG, dedicando boa parte do meu tempo a pesquisas na área de Lingüística Aplicada, estudando Relações Raciais no Brasil. O Casito é professor de Língua Inglesa e o Rogério Sena é do ramo de telecomunicações.

Todo mundo tá ralando muito e ao mesmo tempo levando a banda com muito profissionalismo. Há um sacrifício pessoal muito grande em qualquer material nosso que sai, seja musical ou de divulgação.

S - Alguma previsão de divulgação do disco no Exterior?
P - Alguma divulgação no exterior sempre acontece, seja por parte da Cogumelo, que já tem uma política nesse sentido ou mesmo através de contatos que a banda sempre manteve. Temos uma pequena lista de envios que faremos, dentro de nossas limitações. Fora isso, a gente faz uso dos velhos contatos do underground, agora facilitados pelas mídias eletrônicas. Mas o grande lance é fazer com que o CD chegue a todos os lugares possíveis e que seja escutado com atenção. O resto é conseqüência. As demandas que o trabalho impuser serão atendidas a contento, acredito.

S - Obrigado pela entrevista e sucesso com o novo álbum.
P - Muito obrigado a vocês e obrigado aos(às) bangers e leitore(a)s do Sourcewebzine que tiveram a paciência de ler até o final. Vida longa ao metal nacional (mas sem colonialismo ou xenofobia!)!!! Até a turnê ODE TO DEATH 2006!!!

Cogumelo Reocrds


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