Rock Heavy Loud Webzine
By Falber Teles • Mar 5th, 2008 • Category: InterviewsSOURCEWEBZINE - Olá Marco. Como surgiu a idéia em lançar o Rock Heavy Loud?
Marco Trigo (colaborador) - A criação do site informativo Rock Heavy Loud surgiu após, algumas conversas com vários músicos e promotores e amigos do Carlos Castro, do quanto faria falta um meio de comunicação electrónico e para divulgar o Heavy Metal em Portugal.
SOURCEWEBZINE - O Rock Heavy Loud possui uma loja virtual onde são vendidos produtos. Como tem sido a aceitação desse serviço?
Carlos Castro (diretor) - A nossa loja tem sensivelmente meio ano de existência e a aceitação tem sido modesta mas vem crescendo e regular. As lojas puramente virtuais em Portugal são raras e ao nível musical quase inéditas, pelo que causam sempre desconfiança inicial, mas criamos já clientes assíduos e cada vez mais temos cumprido o nosso objectivo principal: criar um nome de confiança, crédito e prestígio no panorama nacional do Heavy Metal.
SOURCEWEBZINE - Atualmente como está o cenário português com relação ao circuito de shows e bandas?
Marco Trigo (colaborador) - Portugal tem passado por alguns altos e baixos onde se destacam por exemplo o encerramento de uma mítica sala de concertos na cidade do Porto, o Hard Club, cuja reabertura noutro local ainda não se deu. Inversamente têm sido encontradas outras alternativas em termos de salas e existe grande amor à camisola, pelo que o circuito parece em franco crescimento. Neste capítulo, 2008 será um excelente ano com a segunda edição do festival Lagoa Burning Live, três dias com três dezenas de bandas, inclusivamente grandes nomes internacionais como Korpiklaani, Royal Hunt, Angra, Opeth, etc, que com este cartaz pode reclamar estar entre os maiores festivais da Europa. Super Bock Super Rock e Rock In Rio também deixarão marca, além de festivais mais extremos como o Caos Emergente ou o Steel Warriors’ Rebellion. Sem dúvida o balanço será extremamente positivo e com iniciativa e dedicação, por vezes mesmo que com amadorismo, estamos a evoluir rapidamente.
SOURCEWEBZINE - A pirataria de mídias é enorme aqui no Brasil. Como vocês observam o crescimento desse segmento em Portugal?
Marco Trigo (colaborador) - Não sei dizer dados concretos quanto à pirataria em Portugal. É uma faca de dois gumes sobre a qual o consenso ainda não existe. Clarificando, penso que tanto a imprensa, quanto os artistas e distribuidoras não possuem uma estratégia clara e unânime para lidar com o problema, e a criminalização do acto de piratear um CD não resolve as restantes questões de mercado e acessibilidade dos fãs ao material das suas bandas preferidas. Os fãs de metal são em todo o caso orgulhosos dos seus álbuns e não assisto a uma opção consciente e generalizada pela pirataria completa, em detrimento da compra regular de CD’s. Talvez contribua para isso o nosso poder de compra superior a determinados segmentos da população Brasileira.
SOURCEWEBZINE - Percebi que os artistas brasileiros têm um bom espaço no Rock Heavy Loud. O que você conhece sobre o cenário brasileiro?
Carlos Castro (diretor) - Creio que o espaço dos artistas Brasileiros não é tão grande quanto deveria ser; estamos a trabalhar para melhorar isso, uma vez que somos dois povos irmãos cujas bandas podem esperar ser bem recebidas de ambos os lados do Atlântico. Os fãs de metal em Portugal apoiam fortemente as bandas nacionais e do mesmo modo as bandas de países de expressão oficial Portuguesa e sabemos acolher com grande carinho as bandas Brasileiras ou com músicos Brasileiros. Existe por exemplo uma grande base de fãs de bandas como Angra, enquanto estamos a tomar consciência que o Brasil tem nestes últimos anos visto o surgimento de vocalistas extraordinários que ganham nome no panorama internacional, como Gustavo Monsanto (Adagio), Dani Holden (Shadowside) ou Carlos Zema dos Outworld. Sou igualmente um grande fã de Hibria, Aquaria, Tuatha De Danann, etc., e visto tudo na sua globalidade, o Brasil dá cartas na cena internacional e mostra potencialidades e muito talento para crescer e ganhar um lugar de destaque ao lado daqueles que consideramos os gigantes Nórdicos (Finlândia, Suécia, Noruega).
SOURCEWEBZINE - De algum modo, o Brasil influencia Portugal?
Marco Trigo (colaborador) - Bom, espero que sim! Ambos os países têm mais é que se influenciar mutuamente, já que os laços culturais e linguísticos podem ser uma grande vantagem para as bandas de ambos os países conquistarem novos continentes e mercados.
SOURCEWEBZINE - Como vocês (portugueses) vêem o Brasil atualmente?
Marco Trigo (colaborador) - No encaminhamento das questões anteriores, por um lado os Portugueses entendem que o Brasil precisa aumentar a sua formalidade, mas com toda a certeza que a maioria de nós olha para aí com algum orgulho e prazer no que concerne ao seu panorama metálico. Estamos atentos; não há fã Português que não seja adepto de pelo menos uma banda Brasileira e estamos sempre à espera de novidades desse lado do Atlântico.
SOURCEWEBZINE - Embora Brasil e Portugal tenham idiomas semelhantes, acho os dois países muito distantes e uma certa ausência de intercâmbios culturais entre ambos. Qual sua visão sobre isso?
Marco Trigo (colaborador) - Esta pergunta é interessante. Estranho que seja dizê-lo, o Brasil é sinónimo de telenovelas, o que no reverso da moeda torna difícil conteúdos mais elevados obterem aqui a credibilidade devida, do ponto de vista cultural. Isto não é rebaixar as novelas, cujo nível de profissionalismo é sempre invejável, mas veja-se que apesar dos idiomas semelhantes, o Português dito Europeu é bastante mais formal e purista que o Português do Brasil, contribuindo para que este último nos pareça mais relaxado e menos consciencioso, de modo que - admitidamente - tendemos a menosprezar o que nos chega escrito em “Brasileiro”. São expectativas diferentes dos leitores de ambas as nações, e nós, com funções nos media, temos de estar conscientes delas.
SOURCEWEBZINE - Quais os primeiros lançamentos de 2008 que mais lhe impressionaram?
Marco Trigo (colaborador) - Tendo em conta que o final de 2007 foi excepcional, o novo trabalho de Ayreon está impressionante, com grande arrojo e complexidade, embora de difícil digestão. “The Scarecrow”, de Avantasia surpreende por não ser muito igual aos anteriores e desiludir alguns fãs, mas é um trabalho com linhas vocais muito bem conseguidas. Igualmente interessantíssimo o novo trabalho dos Brainstorm que mostra que o Andy B. Franck está a evoluir muito como vocalista, e o regresso dos Alemães Paradox também contém pormenores bem cativantes. Mais recentemente o álbum a solo do André Matos e a estreia dos Tempestt, ambos prestes a sair na Europa, agradaram-me bastante.
SOURCEWEBZINE - Qual seria o futuro do CD/DVD considerando o crescente número de downloads ilegais na internet?
Marco Trigo (colaborador) - Espero que brilhante! Gosto bastante de ambos, mas entendo que eles devem constituir uma experiência dos sentidos, algo que poucas editoras e artistas perceberam. Os fãs reais usarão os mp3 como contingência, mas saberão valorizar aqueles CD’s cuja apresentação os fizer segurar algo único, não só com som, mas com cheiro, toque e textura. A carteira de clientes da RHL, a título de exemplo, reside essencialmente em pessoas que compram edições especiais, pela sua elaboração e profissionalismo.
Penso honestamente que os downloads legais de mp3 separados constituem maior ameaça para os artistas e para o formato CD/DVD. Primeiro porque em vez de suprir as carências do suporte CD e do formato álbum, se optou por vender uma espécie de fotocópia degradada das músicas (os mp3), que pela admissão de alguns músicos com quem já falei significa que eles passam dias e meses em estúdio a aprimorar composições que ao passar para mp3 perderão desde logo qualidade. Em nome do lucro de alguém, inundamos o mercado com versões baratas de produtos que deveriam ser de fina qualidade, agravando a desvalorização da música como algo que vale a pena comprar. Segundo, porque se um músico pode fazer duas ou três músicas por ano para vender em separado, para que se esforçará ele por criar um álbum total, com fio condutor transversal? E porque apoiará uma editora um artista que o faça, se pode colocar músicas retalhadas à venda online?
Estamos perante uma faca de dois gumes, e eu creio que haverá sempre um grande segmento de indivíduos a valorizar a obra de arte que pode ser um CD. Creio que a compreensão desta realidade é mais útil que o combate feroz a “piratas” que acabam por ser crianças e jovens cuja semanada não daria para comprar mais que dois álbuns por mês, e que provavelmente os compram; que serve impedir o download ilegal se isso não incentiva a compra? Você tem limites de velocidade na estrada, mas compra carros mais lentos?
Há muito a trabalhar neste campo. Como me dizia uma banda alguns meses atrás sobre serem banda mais pirateada da sua editora: é uma porcaria porque perdemos dinheiro, mas pelo menos as pessoas conhecem-nos e acabam por vir aos concertos.
SOURCEWEBZINE - Foi mais interessante para Portugal ter sido integrado na União Européia?
Marco Trigo (colaborador) - A minha idade não me permite lembrar muito do que era o país antes da entrada na UE; sobram os indicadores económicos e sociais e diria então que houve ganhos e perdas. Estas últimas têm que ver com alguma autonomia perdida e a rispidez que acarretam as metas impostas por países mais ricos e poderosos, logo mais à sua medida que à nossa. Inversamente o país cresceu economicamente e os intercâmbios económicos e culturais foram de grande utilidade para nos tornarmos mais exigentes com o nosso país pelos exemplos de outros; é a globalização. Do ponto de vista de um fã de música e colaborador da RHL, fico grato pela facilidade com que podemos obter música no estrangeiro sem custos acrescidos nas fronteiras ou verificações postais com fama de danificar produtos, ou como as bandas facilmente conquistam novos mercados pela internet e convergência das aspirações de diferentes países. No fundo, este tipo de integração representa algumas dificuldades, mas também todo um novo mundo de oportunidades.
SOURCEWEBZINE - O que você mais gosta no Brasil?
Marco Trigo (colaborador) - Aquilo que menos gosto. Clarificando, a verdade é que o que mais me admira no Brasil é a facilidade com que a nação cria artistas em vários quadrantes, com panoramas musicais e cinematográficos (por exemplo) a ganharem grande conceito internacional, para não falar da absoluta riqueza em literatura científica por aí existe, e que conheço pelo meu percurso académico como Psicopedagogo de formação. O reverso da medalha é que a facilidade é tanta (e admirável) que por vezes fica a ideia que é demasiado fácil, ao ponto de banalizar e dificultar a emergência dos melhores de entre um mar de ruído e concorrência.
SOURCEWEBZINE - Espaço aberto para considerações finais.
Carlos Castro (diretor) - A RHL gostaria de agradecer o contacto de uma webzine como a Source Webzine que pelo que pudemos observar encontra-se a fazer um belo trabalho em defesa do Heavy Metal no Brasil. É para nós uma honra podermos colaborar com os nossos congéneres no Brasil e desejamos a toda a equipa Source Webzine sorte nos seus projectos. Aos nossos irmãos Brasileiros que contribuem tanto para a riqueza do Heavy Metal de língua Portuguesa, apoiem as bandas, apoiem o Metal. Nunca cessem de acreditar!
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