SEITA
By Falber Teles • Jun 5th, 2009 • Category: Interviews
SOURCEWEBZINE – Primeiramente eu gostaria de saber sobre o processo de formação da banda, considerando que vocês são brasileiros e residem em Amsterdam – Holanda.
Andre (B) – Tudo começou no Brasil, quando Dom Mura e o Michel que já se conheciam e pensavam em tocar juntos. Tempos depois Michel viria a Amsterdam com sua antiga banda Retturn. Logo veio Dom Mura. Depois de algum tempo eles decidiram começar outro projeto, até então a banda não tinham nome, mas as músicas foram se ajeitando e precisavam de um toque final, nesse meio tempo eles conheceram o Edson que também morava em Amsterdam e foi logo chamado pra completar a banda e as músicas, mas claro ainda sem o baixo, até que o Edson foi me visitar, e dizia que queria tinta na pele, como sou tatuador, isso não foi
problema, conversa vai e conversa vem, fui convidado para uma audicão com a banda, e assim fiquei até então.
SOURCEWEBZINE – Como vocês se conheceram e onde moravam aqui no Brasil ?
André (B) – O Michel e o Dom Mura se conheciam do Brasil e tocaram juntos numa banda chamada Clunk, eles são do A.B.C. Paulista, mais especificamente de Santo André. O Edson veio pouco depois para Amsterdam e ele residia em São Bernardo do Campo próximo a casa do presidente Lula, também no A.B.C.Paulista. Eu sou do centro oeste mais especificamente de Brasilia – D.F.
O Michel, Dom Mura e o Edson se conheceram num mercado aqui em Amsterdam onde trabalhavam juntos – a Waterlooplein, e eu conheci os caras através do Edson.
SOURCEWEBZINE – Como está sendo a aceitação de “Imprint Forever” ?
Edson Munhoz (G) – O MCD “Imprint Forever” vem sendo muito bem aceito pela mídia underground. Com menos de um ano de lançamento já conseguimos bons elogios de revistas, web/zines e fãs através da internet. Conseguimos até entrar nos melhores 10 álbuns do ano de 2008 pelo colunista Frank Helmink da revista Aardschok. E nós mesmos estamos bem felizes com o MCD “Imprint Forever” com grande motivação para o próximo passo com certeza.
SOURCEWEBZINE – Como foi trabalhar com o Danny O’Really, produtor de Deicide, Biohazard, Napalm Death?
Edson Munhoz (G) – Trabalhar com Danny O’Really foi e continua sendo muito importante pro crescimento do Seita, ele colocou a banda num nível mais alto de amadurecimento musical, além de que o Michel conhece ele a quase 10 anos por ter trabalhado com ele na época do Retturn, e atualmente ele continua presente nas atividades do Seita. Ele é o quinto membro da banda (ehehehe) !!!
SOURCEWEBZINE – Houve algum preconceito no cenário holandes por ser uma formada por brasileiros atuante na região ?
André (B) – Não existe exatamente preconceito, existe sim uma inveja até então positiva pos somos uma banda formada de estrangeiros que trabalham 8 horas diárias e ainda conseguimos tempo para nos dedicar a banda e fazer esse trabalho com bastante entuasiasmo e que nos está garantindo esse retorno super positivo.
SOURCEWEBZINE – Como é a vida de vocês aí na Holanda. Fora as atividades da banda, o que vocês fazem ?
André (B) – Eu sou tatuador há 26 anos e tenho um estúdio numa cidade próxima a A’dam. O Dom Mura e Michel trabalham numa destribuidora de jóias e o Edson trabalha num restaurante brasileiro.
SOURCEWEBZINE – Morando fora do Brasil, qual a sua visão sobre a cena brasileira ?
Edson Munhoz (G) – Moramos na Holanda mas o Brasil está dentro de nós, sendo assim, pela internet da para visualizar um crescimento. Temos muitos amigos de outras bandas que nos comunicam coisas que acontecem pelo Brasil a fora. Lembramos também da força que o povo brasileiro tem quando se quer fazer, produzir música, ainda mais Metal/Rock onde o apoio é bem baixo, mas as bandas ainda sim conseguem produzir música boa. Também passamos por isso.
Muita banda boa surge no Brasil, tanto que muitas delas vão pra outros países representar o Brasil como é o caso do Seita. Com todos os problemas que a cena underground brasileira tem, ela ‘existe’ e a tendência é crescer mais e mais…
SOURCEWEBZINE – Quais conselhos você daria aos que pensam morar fora do Brasil com atividades musicais em uma banda ?
Edson Munhoz (G) – Morar fora do Brasil não vai fazer você ser um bom músico, ou ser bem sucedido, só porque saiu do Brasil. Moramos aqui e vimos muitas pessoas voltarem porque não conseguiram se estabelecer como pessoa e voltam dizendo que aqui não é bom e coisas desse tipo…
Uma vez o Dom Mura no ensaio disse: “Nós temos que criar as espectativas e assim as coisas vão acontecendo!” Acho que ele está certo. Estando no brasil, na China, na África ou em qualquer lugar que você se sente bem, também dá pra criar expectativas e assim coisas podem acontecer, com certeza… Independente de onde voce vive, música boa não tem documento ou nacionalidade !
SOURCEWEBZINE – Como está a tour de divulgação para “Imprint Forever” ?
Edson Munhoz (G) – O MCD “Imprint Forever” não chegou a ter uma tour propria. Tivemos uma série de datas (mini-tours) com o Eminence, Graven Image e com o My City Burning, que foi bem importante para o Seita nesse um ano de MCD lancado. Fizemos uma tour fechada com o Sayowa , Maldita e o Envydust – “Beyond the Chaos tour” que foi um aprendizado muito importante que vai nos dar um amadurecimento enorme. Daqui pro fim do ano temos mais umas mini tours com outras bandas a serem confirmadas. Tocamos na França onde nos receberam muito bem e esperamos voltar pra lá logo.
Em julho de 2009 vamos para a Asia, tocar num festival na Coreia do Sul, em Seul – ASIA METAL FESTIVAL . Esse está sendo um dos maiores acontecimos do Seita. Estamos muito felizes de fazer parte desse festival. As datas não param.
SOURCEWEBZINE – “Imprint Forever” foi lançado de forma independente. É mais fácil lançar algo independente na Europa ?
Andre (B) – Fácil, fácil não foi. Tudo foi uma questão de amor a música e daí decidimos trabalhar duro e investir nesse sonho.
SOURCEWEBZINE – Vi no Myspace de vocês uma boa quantidade de Merchandise. É possível substituir a baixa nas vendas devido a pirataria por Merchandise ?
Edson Munhoz (G) – O merchandise sempre foi boa parte da sobrevivencia de uma banda, além do mais é legal chegar num lugar que nunca tocamos. Aí tem um fã com a camisa do Seita esperando a gente chegar pra tocar pra ele, então é um ciclo. Temos que continuar criando, criamos a música e tudo em volta para que as pessoas que gostem se sentirem bem como nos também nos sentimos. Somos fãs do que fazemos e quem gosta de Seita acaba gostando também.
Graças as grandes gravadoras a pirataria existe e graças aos fãs as bandas sobrevivem…
SOURCEWEBZINE – Algo mais a ser acrescentado ?
Edson Munhoz (G) – Muito obrigado pelo espaco, pela força e dedicação que vocês vem dando a música pesada em geral desde 1990 aí na batalha pela cena musical. Parabéns pelo trabalho.
Ao povo que ouviu falar do Seita ou achou pela internet a fora, escutem a música e divirtam-se porque nos gostamos do que fazemos e representar a música pesada do Brasil é uma honra e uma satisfação maior que o dinheiro pode pagar. Nos somos o Seita e estamos pronto pra quebrar tudo. Paz, Saúde e METAL na orelha do Povo.
Falber Teles
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