The Mist

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SOURCE – Poderíamos dizer que o lançamento de The Dark Side of the Soul (An Anatomy of the Soul) retoma o ciclo musical do The Mist iniciado com Phantasmagoria e The Hangman Tree?

Vladimir Korg (Vocal) – Não totalmente; é outro conceito. Mas gosto de fazer ligações com o que escrevi no passado. Gosto de deixar pistas para os fãs mais dedicados, que ficam procurando isso nos meus trabalhos. Eles sabem que faço isso e esperam que eu continue fazendo.

Acho que hoje estamos buscando o Santo Graal do thrash metal, ou seja, tê-lo como espinha dorsal da banda, mas injetando elementos contemporâneos nele. Dentro da grande rede do heavy metal, o thrash metal é o estilo mais aberto a incorporar novas linguagens e novas abordagens líricas. O thrash metal é o metal das ruas, do nosso cotidiano, das nossas roupas surradas e o que mais levanta o dedo do meio como atitude…

SOURCE – Como você detalharia a produção de The Dark Side of the Soul (An Anatomy of the Soul)?

Vladimir Korg (Vocal) – Um hospício! Gravamos há dois anos e, desde então, estamos correndo atrás de como produzi-lo melhor, buscar uma capa que representasse o conceito da melhor forma e encontrar novos caminhos dentro das nossas limitações, para nos colocarmos nessa imensidão de bandas incríveis e nesse moedor de carne que é a indústria da música atualmente.

Conseguimos uma gravadora que respeitou cada ponto que colocamos e estamos aprendendo muito com eles. Fernando Ribeiro é um grande irmão do metal. Acho que compartilhamos o mesmo sentimento e a mesma força pela música que fazemos. Estou muito satisfeito com todo o esforço da Alma Mater Records e da Rastilho Records no empenho em nos divulgar e mostrar a força do metal brasileiro na Europa. Estamos muito orgulhosos de estar com eles.

Além disso, tivemos ajuda na produção brasileira com André Damien (Paradise in Flames), que topou entrar nessa parada com a gente, e de Tue Madsen, que finalizou a parte de mixagem e masterização, além da honra de estar no cast de bandas que têm capa do Michael Whelan. Agora é fazer a máquina funcionar onde deve: na estrada!

SOURCE – Como foi o processo de licenciamento do álbum The Dark Side of the Soul (An Anatomy of the Soul) para a gravadora Alma Mater Records?

Vladimir Korg (Vocal) – Licenciamos The Circle of the Crow com a Alma Mater Records, e Fernando Ribeiro já tinha mostrado interesse em um trabalho futuro. Disse, na época, que queria muito que Tue Madsen trabalhasse com a gente — eles são amigos. Tivemos a oportunidade de mostrar o trabalho para uma gravadora grande, mas o tempo havia passado e a conversa com Fernando Ribeiro ficou perdida em algum lugar da minha cabeça louca. A gravadora gostou muito do que produzimos, mas teríamos que arcar com um montante de dinheiro que não tínhamos.

Estávamos com toda a parte musical pronta, e eu disse: “Foda-se, vou fazer essa porra eu mesmo, como fiz no EP.”

Quando lancei o nome do álbum, recebi uma mensagem do Fernando dizendo: “Ei, esse álbum é meu!” Então demos início às negociações. O álbum não foi licenciado; ele foi co-produzido pela AMR, e fomos contratados como banda da gravadora.

SOURCE – O videoclipe (Brain) – Geppetto’s Song apresenta uma produção bastante minuciosa. Como foi a produção desse material?

Vladimir Korg (Vocal) – Eu e Leandro Miranda queríamos fazer como nos velhos tempos. Eu já tinha um roteiro na cabeça e fui ao local (uma casa-circo) conversar com Diego, que é o líder da trupe. Contratamos os artistas e fizemos tudo em um dia: roteiro, filmagem da banda e dos atores, seguindo o roteiro à risca. Misturamos circo, cinema e metal — e ficou muito bom. Wesley fez um pernil assado maravilhoso e mandamos ver.

SOURCE – Um dos títulos do novo álbum que chama a atenção é (Face) – Name + Number = Namber. Você poderia nos explicar a lógica da soma entre Name e Number que compõe o título desta faixa?

Vladimir Korg (Vocal) – Este álbum traz uma revolta explícita com a “coisa” em que estamos nos transformando. Somos um número, temos um nome, comemos, cagamos, dormimos e trabalhamos para pagar isso tudo. O nome é apenas a junção disso… somos nambers sendo consumidos pela velocidade da contemporaneidade, com algoritmos ditando nossas vontades. Estamos realmente chegando a um ponto de não retorno.

SOURCE – Quais são as expectativas de lançamento e turnê pela Europa com The Dark Side of the Soul (An Anatomy of the Soul), pela Alma Mater Records?

Vladimir Korg (Vocal) – Ainda temos que trabalhar muito. Este álbum me consumiu durante três anos e estou realmente esgotado. Sempre tive em mente que este seria o álbum da minha vida e lutei muito para tornar isso realidade. Hoje penso que o próximo será o álbum da minha vida.

Sair pelo mundo tocando nossas músicas seria incrível, mas confesso que ainda precisamos trabalhar para que isso aconteça e conhecer as pessoas certas. A Alma Mater, com certeza, será uma boa conselheira para que isso se concretize.

SOURCE – Em um processo de comparação, quais aspectos evolutivos você observa na carreira musical de um músico no Brasil, considerando o início da banda até os dias atuais?

Vladimir Korg (Vocal) – Hoje, na banda, temos gerações diferentes de músicos. Trabalhamos dentro de um estilo que nos forjou — o thrash metal —, mas estamos sempre tentando dar um brilho novo, seja nas letras, seja cutucando outros estilos que orbitam o grande núcleo que é o heavy metal, ou seria o rock’n’roll.

Musicalmente, estamos bem e centrados, mas o mercado da música é desanimador. É cruel, e seus instrumentos de dominação são os piores: os canais de streaming. É ridículo!

SOURCE – Espaço para considerações finais.

Vladimir Korg (Vocal) – Queremos ver todos vocês na estrada, se possível na fila da frente, batendo cabeça e gritando. Estamos com um álbum novo e gostaríamos que cada um tivesse um em casa. Mesmo que você não ouça mais CD, tenha essa lembrança da nossa banda.

Ajude-nos comprando nosso merchandising — não apenas o nosso, mas também o da sua banda favorita. Você faz com que a banda tenha mais força para continuar. Fiquem com a gente e façam parte da nossa história!

Photo credit: Alexandre Biciati

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